The current state of scenario development: an overview of techniques – Resenha Crítica

Por Rafaella Sales

Autores: Peter Bishop; Andy Hines; Terry Collins.

Fonte: Foresight

Disponível em: https://www.emerald.com/fs/article-abstract/9/1/5/75661/The-current-state-of-scenario-development-an?redirectedFrom=fulltext

Referência: Bishop, P.; Hines, A.; Collins, T. The current state of scenario development: an overview of techniques. Foresight, v. 9, n. 1, p. 5-25, 2007.

1         Objetivo da Pesquisa

O objetivo central do artigo é revisar e sistematizar todas as técnicas existentes para o desenvolvimento de cenários identificadas na literatura sobre estudos de futuros (futures studies). Os autores buscam organizar e comparar metodologias, avaliando suas utilidades, vantagens e limitações, de modo a contribuir para a consolidação de um campo conceitualmente fragmentado.

2         Definições e fundamentação

Bishop, Hines e Collins reconhecem que o campo dos estudos de futuros sofre com confusões terminológicas e conceituais, especialmente quanto aos termos “planejamento por cenários”, “construção de cenários”, “método” e “técnica”. Assim, propõem definições operacionais:

  • Cenário: narrativa ou descrição coerente de um possível estado futuro e/ou da trajetória que o conduz.
  • Técnica: meio sistemático utilizado para gerar um produto específico.
  • Projeto de futuros: unidade de trabalho que integra objetivos, métodos e produtos em uma abordagem de foresight.

Com base nisso, o artigo busca mapear, classificar e avaliar as técnicas de construção de cenários utilizadas por futuristas e organizações.

3         Metodologia

A pesquisa adota uma abordagem de revisão bibliográfica e documental, realizada a partir de buscas eletrônicas em bases acadêmicas e literatura especializada, complementada por consultas a profissionais e redes futuristas.

Os autores reuniram técnicas provenientes de obras clássicas (como Schwartz, Van der Heijden e Godet) e de fontes recentes, totalizando oito categorias principais e 23 variações de técnicas.

4         Principais Resultados

A análise identificou oito categorias de técnicas de desenvolvimento de cenários:

  1. Julgamento (Judgmental techniques) – baseadas em intuição ou experiência, como genius forecasting e role playing.
  2. Cenários de tendência ou base (Baseline/expected) – projetam o futuro a partir da extrapolação de tendências, incluindo métodos como o Manoa e Trend Impact Analysis.
  3. Elaboração de cenários pré-definidos (Elaboration of fixed scenarios) – desenvolve narrativas a partir de cenários estabelecidos previamente, como o Incasting e a SRI Matrix.
  4. Sequência de eventos (Event sequences) – descreve o futuro como uma cadeia de eventos, por meio da utilização de árvores de probabilidade e mapas de divergência.
  5. Backcasting – parte de um futuro desejado e trabalha de trás para frente, exemplificada pela Horizon Mission Methodology da NASA.
  6. Dimensões de incerteza (Dimensions of uncertainty) – técnicas baseadas em variáveis críticas e suas interações, como GBN Matrix, Morphological Analysis e MORPHOL.
  7. Análise de impacto cruzado (Cross-impact analysis) – calcula probabilidades condicionais entre eventos futuros, exemplificada pelo SMIC PROB-EXPERT.
  8. Modelagem (Modeling) – integra métodos quantitativos e sistêmicos, incluindo Sensitivity Analysis e Dynamic Scenarios.

Cada categoria é discutida quanto ao ponto de partida, ao processo, ao produto, ao grau de dificuldade, ao uso de grupos e à base (julgamento ou quantificação). As técnicas também são avaliadas quanto às suas vantagens e desvantagens práticas, por exemplo, a acessibilidade das abordagens intuitivas em relação à complexidade dos modelos quantitativos.

5         Considerações finais

O estudo conclui que o desenvolvimento de cenários constitui o núcleo dos estudos de futuros, diferenciando-os de outras disciplinas voltadas ao planejamento estratégico. Contudo, há uma carência de padronização conceitual e metodológica.

Os autores defendem a necessidade de um consenso e de um vocabulário comum que permita maior rigor e comparabilidade entre as práticas. O artigo, portanto, representa um primeiro esforço de catalogação sistemática das técnicas existentes, propondo um quadro de referência abrangente para pesquisadores e profissionais do campo do foresight.

Além disso, Bishop, Hines e Collins enfatizam que, embora o método GBN (Global Business Network) tenha se tornado o padrão dominante, ele é apenas uma entre muitas abordagens válidas e que a diversificação metodológica é essencial para o avanço do campo.

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