“Scenarios: Uncharted Waters Ahead” – Resenha crítica

Por Rafaella Sales

Autores: Pierre Wack.

Fonte: Harvard Business Review (HBR).

Disponível em: https://hbr.org/1985/09/scenarios-uncharted-waters-ahead

Referência: WACK, P. Scenarios: uncharted waters ahead. Harvard Business Review, v. 63, n. 5, p. 73-89, set./out. 1985.

1          Objetivos da Pesquisa

O trabalho investiga os fundamentos do planejamento por cenários na Shell, evidenciando a obsolescência do determinismo quantitativo frente a rupturas estruturais. A obra esclarece como os cenários robustecem a resiliência organizacional contra eventos atípicos e reposiciona a figura do planejador como um arquiteto de processos cognitivos, cujo foco é a reconfiguração dos modelos mentais dos tomadores de decisão.

2          Metodologia

A metodologia é de natureza reflexiva e baseada em estudo de caso organizacional. Wack detalha o processo intelectual da equipe de planejamento da Shell entre 1967 e 1973. A abordagem foca na identificação de “fatos predeterminados” (elementos que já estão em curso e cujas consequências são inevitáveis) e na sua separação das incertezas reais. Pierre Wack descreve o uso de cenários como uma técnica de “microcosmo”, cujo objetivo é redesenhar o modelo interno que os gestores têm do mundo exterior.

3          Principais Resultados

Os resultados apresentados por meio da experiência da Shell indicam que:

  • Sucesso na antecipação: A Shell foi a única grande petrolífera, naquela época, preparada para a crise de 1973, não porque “previu” o embargo, mas porque tinha cenários que tornavam essa possibilidade plausível e discutível internamente e se preparou para tal possibilidade.
  • Modelos mentais: O maior obstáculo ao planeamento não é a falta de informação, mas a resistência dos gestores a aceitar realidades que contradizem o seu sucesso passado.
  • Cenários como aprendizagem: O processo revelou que cenários eficazes devem ser “focados na decisão”; se o cenário não alterar a percepção do decisor sobre o seu negócio, ele falhou no seu propósito científico e aplicado.

4          Considerações finais

Wack conclui que o planejamento por cenários é uma ponte entre a análise disciplinada e a intuição criativa. A conclusão científica do artigo sustenta que a incerteza não deve ser ignorada ou ocultada por meio do uso de médias estatísticas e projeções, mas sim estruturada em futuros alternativos consistentes. Pierre Wack estabelece que a eficácia desse método reside na sua capacidade de transformar a incerteza estratégica numa vantagem competitiva, permitindo que a organização se adapte mais rapidamente do que os seus concorrentes quando o ambiente sofre mudanças sísmicas.

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