
Por Rafaella Sales
Autores: Ron Bradfield; George Wright; George Burt; George Cairns; Kees Van Der Heijden.
Fonte: Elsevier Ltd.
Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.futures.2005.01.003
Referência: BRADFIELD, R. et al. The origins and evolution of scenario techniques in long range business planning. Futures, v. 37, n. 8, p. 795-812, Out. 2005. https://doi.org/10.1016/j.futures.2005.01.003.
1 Objetivos da Pesquisa
O objetivo central deste estudo é identificar e documentar as origens históricas das técnicas de cenários, analisando a evolução e a divergência de suas metodologias. Além disso, busca classificar as técnicas contemporâneas em categorias distintas para mitigar a confusão conceitual na área, discutindo as bases teóricas e práticas que sustentam a eficácia do planejamento de cenários no ambiente organizacional.
2 Metodologia
A metodologia fundamenta-se numa revisão histórica e bibliográfica profunda, mapeando o desenvolvimento das técnicas de cenários. Bradfield et al. utilizam uma abordagem taxonômica para organizar a vasta literatura da área em três categorias principais, baseadas nas suas origens geográficas e filosóficas:
- Escola de lógica intuitiva (Intuitive Logics): Com raízes no SRI (Stanford Research Institute) e na Shell, focada na construção de narrativas qualitativas para mudar modelos mentais.
- Escola de tendências probabilísticas modificadas (PMT): Inclui as técnicas de análise de impacto cruzado e de impacto de tendências, com foco em probabilidades.
- Escola francesa (La Prospective): Representada por Gaston Berger e Michel Godet, caracterizada por uma abordagem política e estrutural.
3 Principais Resultados
Bradfield et al. chegam a conclusões cruciais sobre o estado do foresight:
- Divergência metodológica: O campo evoluiu de forma fragmentada, o que resultou em uma terminologia confusa e em práticas que, embora usem o mesmo nome (“cenários”), possuem objetivos e procedimentos muito diferentes.
- Transição de paradigma: O planejamento evoluiu do uso de ferramenta de previsão técnica (como nas origens militares e na Escola Francesa inicial) para uma metodologia de aprendizagem organizacional e de conversa estratégica (como na lógica intuitiva).
- Importância do processo: O resultado mais valioso não é o cenário em si (o produto), mas o processo de desenvolvimento, que permite aos gestores perceberem sinais de mudança e testarem a resiliência das suas estratégias.
4 Considerações finais
O artigo estabelece que o planejamento por cenários é uma disciplina madura, mas que ainda sofre de falta de consenso metodológico rigoroso. Bradfield et al. concluem que a eficácia da técnica reside em sua capacidade de lidar com a incerteza “não mensurável”, algo que os métodos quantitativos tradicionais não conseguem captar. A síntese histórica apresentada serve de base científica para que futuros investigadores e profissionais possam selecionar a abordagem de cenários mais adequada aos seus objetivos específicos, garantindo que o planejamento de longo prazo seja tanto rigoroso quanto adaptável às mudanças drásticas do ambiente.
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