A expansão e os desafios enfrentados para a implementação de datacenters no Brasil 

Segundo o professor da Universidade Federal Rural do Semiárido, Judson da Cruz Gurgel, o Brasil oferece todas as vantagens necessária para o funcionamento de datacenter no país

Datacenter são infraestruturas físicas responsáveis por armazenar os dados de uma empresa, instituição e organização. Foto: Reprodução

O Brasil tem um potencial enorme para estar na dianteira da indústria de datacenters graças às vantagens climáticas do país. Data centers são locais físicos que armazenam todos os dados de uma empresa, instituição, organização, sendo assim, essas instalações por preservar um grande número de informações (muitas delas confidenciais) operam vinte e quatro horas por dia. 

Para o Professor da Universidade Federal Rural do Semiárido, Judson da Cruz Gurgel, o Brasil oferece todas as vantagens necessária para o funcionamento de datacenter no país,  “o país possui uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, com forte participação de hidrelétricas, solar e eólica — fontes ideais para data centers que buscam reduzir sua pegada de carbono”, afirmou o professor.

O docente ainda destacou a “estabilidade na geração de energia” e a “infraestrutura de telecomunicações” como grandes forças do país, “a combinação de energia limpa, disponibilidade territorial e infraestrutura de telecomunicações cria um ambiente extremamente atrativo para operações que precisam funcionar 24 horas por dia, com alta confiabilidade”, destacou. 

Apesar dessas dezenas de particularidades que tornam o Brasil um destino ideal para datacenters, o país ainda está avançando em sua legislação para acelerar  a expansão desses espaços no Brasil, “o governo federal tem avançado em políticas de atração de investimentos em infraestrutura digital, especialmente por meio da agenda de transformação digital e de neoindustrialização”.“Há também iniciativas para integrar data centers às políticas de energia limpa, incentivos fiscais, zonas especiais de desenvolvimento e projetos de infraestrutura de cabos e conectividade internacional”, pontuou Judson. 

Outro entrave é a falta de mão de obra qualificada no país, o Brasil apresenta um déficit de mais de 500 mil profissionais em Tecnologia da Informação (TI), para exercer as funções de uma infraestrutura complexa e que requer profissionais que possam trabalhar durante vinte e quatro horas. Para Judson, apesar dessa deficiência no setor de TI brasileiro, a instalação de datacenters no Brasil poderia estimular o estado a de forma coordenada investir em “formação técnica, ensino superior, requalificação profissional e parcerias com empresas de tecnologia”. 

“Se o país investir de forma coordenada em formação técnica, ensino superior, requalificação profissional e parcerias com empresas de tecnologia, esse gargalo pode se transformar em um dos maiores motores de inclusão produtiva, geração de renda e desenvolvimento regional dos próximos anos”. 

Apesar das dificuldades apresentadas, o Brasil já possui leis importantes e essenciais para a implementação de datacenters como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e o Marco Civil da Internet que oferecem segurança jurídica para operações digitais. Caso sejam superados esses desafios, a economia brasileira e nordestina podem se beneficiar de maneira sem igual. 

O professor universitário destaca que grandes datacenters geram impactos na economia e sociedade de um país, “cada grande datacenter movimenta bilhões em investimentos, gera empregos altamente qualificados, ativa cadeias produtivas locais (construção, engenharia, energia, telecomunicações, manutenção) e, sobretudo, cria um ambiente propício para que empresas de tecnologia se instalem no país. Isso aumenta a arrecadação, a produtividade e a competitividade internacional do Brasi”. 

Já para o Nordeste, os benefícios da instalação dessa infraestrutura podem ser muito maiores, visto que, os datacenters atraem investidores internacionais que geram empregos, uma maior remuneração e redução na migração de profissionais nordestinos à região sudeste. Na prática, datacenters podem ter para o Nordeste um papel semelhante ao que os polos petroquímicos e industriais tiveram no Sudeste no século passado — só que agora numa economia mais limpa, tecnológica e conectada“, afirmou Judson.

Nesse contexto, emergem as seguintes perguntas: haverá investimentos em datacenters no Brasil? O Brasil será capaz de atrair investimentos privados nacionais e internacionais para a construção e manutenção dos datacenters? Haverá energia suficiente para alimentar esses datacenters? O Brasil investirá na construção de pequenas centrais de geração de energia nuclear, especificamente os Pequenos Reatores Modulares (SMRs –Small Modular Reactors) para alimentar os datacenters e a demanda crescente por energia massiva que a Inteligência Artificial (IA) demanda? Haverá formação de mão de obra para trabalhar nos datacenters no Brasil ou teremos que importar caso os investimentos ocorram?

Essas são algumas perguntas que emergem ainda sem respostas o que sugere a necessidade de estudos de foresight específicos para essa temática, a qual poderá contribuir para geração de emprego e renda no Brasil.

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