“Creating the future: The use and misuse of scenarios” – Resenha crítica

Por Rafaella Sales

Autores: Michel Godet; Fabrice Roubelat.

Fonte: Long Range Planning.

Disponível em: https://doi.org/10.1016/0024-6301(96)00004-0

Referência: GODET, M.; ROUBELAT, F. Creating the future: The use and misuse of scenarios. Long Range Planning, v. 29, n. 2, p. 164-171, abr. 1996.

1          Objetivos da Pesquisa

O propósito deste trabalho é fundamentar a eficácia dos cenários na gestão organizacional por meio do uso de critérios rigorosos, como a consistência e a transparência. A análise contrapõe o formalismo metodológico estéril à exploração criativa do horizonte de possibilidades, evidenciando como métodos simples podem ser mais eficientes para romper com a conformidade intelectual e iluminar o campo das possibilidades.

2          Metodologia

A metodologia baseia-se na aplicação de técnicas da “caixa de ferramentas” da prospectiva estratégica francesa. O artigo mostra o uso da:

  • Análise estrutural: para identificar variáveis-chave e reduzir a complexidade.
  • Análise de estratégias de atores: para compreender as relações de força e possíveis alianças/conflitos.
  • Análise morfológica: Para explorar sistematicamente o campo dos futuros possíveis.
  • Métodos de probabilidade (Expert e SMIC): para avaliar a probabilidade de diferentes combinações de eventos. O texto utiliza um caso prático da indústria siderúrgica para exemplificar estas etapas.

3          Principais Resultados

Os autores destacam resultados vitais para a prática estratégica:

  • Condições de sucesso: um cenário só é útil se for relevante para a decisão, consistente logicamente, verossímil (não impossível) e transparente (metodologia clara).
  • Apropriação: o sucesso da transição da antecipação para a ação depende da “apropriação”, ou seja, do envolvimento dos decisores no processo, para que se sintam “donos” da estratégia.
  • Simplificação útil: ferramentas formais não servem para prever o futuro, mas para forçar os gestores a pensar fora da caixa e a considerar cenários que prefeririam ignorar.

4          Considerações finais

Godet e Roubelat concluem que o planejamento por cenários é um exercício de liberdade e vontade. A conclusão científica reforça que a incerteza é o que confere sentido à atividade humana e que o rigor metodológico é o que diferencia a perspectiva séria da mera ficção. O artigo estabelece que os cenários servem para reduzir a cegueira estratégica e mobilizar a organização rumo a um futuro desejado, transformando a análise intelectual num compromisso prático com a ação proativa.

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