O que cada um dos principais candidatos à presidência pensa a respeito da posição brasileira no cenário internacional
Flávio Bolsonaro (PL), Lula (PT), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante), divergem em relação à política externa brasileira

A partir do próximo final de semana (04) ou dos próximos dias, caso haja segundo turno, conheceremos o presidente da República. Como a estratégia é um dos principais elementos na construção do futuro, a SocialPort resolveu verificar os planos de governo de cada um dos principais candidatos ao cargo mais importante da política brasileira para compreender quais planos e medidas estão sendo pensados pelos presidenciáveis quanto à posição brasileira no cenário internacional.
Cabe destacar que o desenvolvimento econômico e industrial e, por conseguinte, o desenvolvimento social de uma nação dependem de fluxos de insumos estratégicos e de investimentos no setor produtivo. Além disso, ter acesso a grandes centros consumidores para a exportação dos produtos de um país também é fundamental. Essas questões dependem de acordos bilaterais e multilaterais, bem como de estratégias para atrair investimentos diretos estrangeiros que agreguem tecnologia. Para tanto, é necessário possuir uma leitura adequada do ambiente internacional, promover e manter boas relações entre os países e estar inserido nas cadeias globais de valor.
Começando pelo atual presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Lula defende uma progressão no comportamento externo adotado pelo Estado brasileiro durante sua gestão: o multilateralismo, a priorização da soberania e dos interesses do Estado brasileiro em detrimento dos interesses de potências externas dominantes, a união com os países da América do Sul e a estreitamento das relações com os países do Sudeste Asiático e africanos, em especial os de língua portuguesa.
Flávio Bolsonaro (PL), candidato pela primeira vez à presidência, pretende mudar totalmente os rumos da política externa brasileira, restabelecendo as relações com os Estados Unidos da América (EUA), Israel e a Argentina, que sofreram desgastes nos últimos anos. Além de reposicionar o Brasil na esfera ideológica global, Flávio pretende acelerar a adesão do país à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), intensificar o combate às organizações criminosas brasileiras e transformar o país em uma das potências do setor energético até 2030.
O ex-governador e político do Estado de Goiás (GO), Ronaldo Caiado, defende uma integração infraestrutural e econômica entre os países da América do Sul, além de fortalecer o laço do Brasil com os demais países do grupo. O ex-governador de Goiás deseja atribuir às embaixadas brasileiras funções econômicas, integrando, junto ao Itamaraty, a ApexBrasil, a Camex, os bancos e as agências. O presidenciável também vê na cooperação internacional uma solução para enfrentar as facções criminosas do país.

O ex-governador de Minas Gerais e atual candidato ao Planalto, Romeu Zema (Novo), defende, entre as principais propostas, a saída diplomática do Brasil do bloco econômico BRICS, grupo formado originalmente pelas principais potências emergentes do mundo (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), a cooperação com os EUA e países latino-americanos para combater o crime organizado e a transformação do Mercosul em uma zona de livre comércio, permitindo que os países integrantes do bloco negociem de maneira independente entre si.
O escritor e professor Augusto Cury (Avante), enxerga nas embaixadas brasileiras a possibilidade de fazer negócios e destravar impasses tarifários, sanitários e regulatórios. Essas novas atribuições diplomáticas são registradas em seu plano de governo como Embaixada 4.0, apresentando uma visão semelhante à do ex-governador do Estado de Goiás (GO), Ronaldo Caiado. O político também defende uma diplomacia neutra, a cooperação socioeconômica e tecnológica com países em desenvolvimento e o posicionamento do Brasil na vanguarda das discussões mundiais sobre mudanças climáticas, que afetam a Amazônia e a biodiversidade brasileira.
O candidato Renan Santos (Missão) destaca, em seu plano de governo, a política externa, com o desenvolvimento de armamento nuclear no território brasileiro para garantir a soberania nacional. No documento, a nuclearização do país serviria como um ativo para dissuadir conflitos. Entre as outras propostas estão: posicionar o Brasil como líder do Sul Global (conjunto de países espalhados pela África, Ásia e América Latina), estabelecer o Real (R$) como moeda de negociação oficial entre os países da América do Sul, declarar guerra às organizações criminosas e fortalecer a proteção das regiões fronteiriças brasileiras.
Essas são apenas algumas das propostas elaboradas por cada um dos candidatos à presidência da República. Caso tenha se interessado e deseje aprofundar-se nos temas abordados durante a matéria, o link de cada proposta de governo ficará disponível ao final.
Flávio Bolsonaro:
Ronaldo Caiado:
Romeu Zema:
Renan Santos:
Augusto Cury:
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