Por Rafaella Sales
Autores: Rafael Popper
Disponível em: https://www.emerald.com/fs/article-abstract/10/6/62/93920/How-are-foresight-methods-selected?redirectedFrom=fulltext
Referência: Popper, R. (2008). How are foresight methods selected? Foresight, 10(6), 62–89. DOI: 10.1108/14636680810918586.
O propósito central reside na inquirição e análise do processo empírico de seleção de metodologias empregadas em exercícios de foresight toda em escala global. O estudo se contrapõe à literatura prescritiva ao buscar desvendar a dinâmica real de como os métodos são selecionados. A finalidade é gerar contribuições epistemológicas (insights) que informem a tomada de decisão, visando o desenvolvimento de arcabouços metodológicos mais robustos e coerentes no campo do foresight estratégico.
O delineamento metodológico fundamenta-se em uma abordagem dedutiva, alicerçada na análise sistemática de um vasto acervo de dados primários e secundários. O estudo utilizou uma amostra empírica significativa, composta por 886 estudos de caso de foresight mapeados em diferentes contextos geográficos.
O arcabouço teórico-analítico foi conduzido pela formulação e subsequente teste de duas hipóteses interconectadas de causalidade metodológica:
- A seleção das metodologias é primariamente determinada por seus atributos intrínsecos, notadamente sua natureza (qualitativa, quantitativa ou semiquantitativa) e suas capacidades inerentes (i.e., coleta/processamento de informação baseada em evidência, expertise especializada, interação ou potencial criativo).
- A escolha dos métodos é influenciada por elementos e condicionantes extrínsecos que definem as necessidades específicas do processo de prospectiva.
A análise exploratória investigou a influência de 11 variáveis preditivas, incluindo a natureza e as capacidades dos métodos, o contexto geográfico de Pesquisa e Desenvolvimento, o horizonte temporal da análise, o patrocínio institucional e a configuração do mix de métodos (methods mix).
Os resultados empíricos mostram que a seleção de métodos de foresight constitui um processo multifatorial complexo, historicamente marcado por uma significativa incidência de subjetividade, refletida pela prevalência de escolhas baseadas em heurísticas intuitivas, impulsividade ou insuficiência de experiência por parte dos agentes organizadores e profissionais.
Os fatores de maior influência na determinação metodológica são a natureza dos métodos e o mix metodológico empregado:
- Natureza metodológica: Observa-se uma clara preferência estatística por abordagens qualitativas. Os métodos com maior frequência de aplicação são a “revisão de literatura”, a formação de “painéis de especialistas” (expert panels) e a construção de cenários.
- Capacidades metodológicas: Foi identificado um viés analítico em direção às capacidades de expertise e evidência, em detrimento das dimensões de criatividade e interação. Consequentemente, métodos concebidos para estimular a criatividade, como gaming ou wild cards, são sistematicamente subutilizados.
- Methods mix: Os exercícios de foresight mostram uma média de utilização de cinco a seis métodos por iniciativa. O emparelhamento metodológico de maior robustez estatística reside na combinação de “painéis de especialistas” e “revisão de literatura”.
Outros condicionantes, como o contexto geográfico de pesquisa e desenvolvimento e a codificação dos resultados (e.g., roadmaps tecnológicos), exerceram influência relativamente alta, enquanto a área de domínio e os grupos-alvo apresentaram um poder preditivo significativamente mais baixo.
A investigação corrobora as hipóteses propostas, concluindo que a seleção metodológica é um construto complexo, determinado pela interação de múltiplos fatores contextuais e pelos atributos inerentes das metodologias.
A implicação prática primordial é a necessidade premente de a comunidade de profissionais reconhecer o foresight como um processo estruturado, migrando de um paradigma intuitivo para um modelo de seleção equilibrado e metodologicamente fundamentado. É crucial promover um maior balanceamento na utilização das capacidades metodológicas, estimulando a inserção de técnicas participativas e criativas. Tal iniciativa visa catalisar o desenvolvimento de uma agenda de pesquisa inovadora focada na metateoria da própria metodologia de prospectiva.
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