
Por Rafaella Sales
Autores: Matthias Sonk.
Fonte: European Journal of Futures Research.
Disponível em: https://doi.org/10.1007/s40309-015-0076-7
Referência: SONK, M. How to justify beliefs about the future – some epistemological remarks. European Journal of Futures Research, v. 3, n. 17, p. 1-6, dez. 2015.
1 Objetivos da Pesquisa
O objetivo principal de Sonk é investigar a viabilidade de uma fundamentação teórica para o campo do foresight por meio de algumas metas. Para isso, propõe-se a examinar a possibilidade lógica de estabelecer ‘crenças verdadeiras justificadas’ sobre o futuro, além de avaliar a disputa entre internalismo e externalismo, buscando identificar a abordagem que melhor explica a justificação de conhecimentos sobre os eventos que ainda não ocorreram.
2 Metodologia
A metodologia empregada consiste em uma análise filosófica e epistemológica qualitativa. Sonk utiliza a lógica clássica e as teorias contemporâneas da mente para desconstruir o problema da justificação. O estudo divide-se em:
- Análise lógica: Aplicação das leis do pensamento de George Boole e de Aristóteles ao domínio do futuro.
- Debate sobre J-factors: Investigação dos fatores de justificação (doxásticos e proposicionais).
- Modelagem estrutural: Comparação metafórica entre o conhecimento como um “edifício” (fundacionalismo) ou como uma “teia/jangada” (coerentismo).
3 Principais Resultados
Os resultados da análise epistemológica indicam que:
- Validade lógica: De acordo com a lei do terceiro excluído, assunções claras sobre o futuro têm de ser verdadeiras ou falsas, não podendo ser indefinidas. Isso acaba garantindo a possibilidade teórica de construção de conhecimento sobre o futuro.
- Primazia do internalismo: Como o futuro não é uma entidade externa que possamos perceber sensorialmente no presente, o externalismo falha. Apenas o internalismo (especialmente o de acessibilidade) permite justificar crenças futuras por meio de reflexão e estados mentais.
- Necessidade de fundações: O coerentismo é considerado instável para o foresight, porque todas as crenças estariam igualmente carentes de justificação. O fundacionalismo é preferível por oferecer uma resposta ao problema do regresso infinito, recorrendo a “crenças básicas” estáveis para sustentar previsões futuras.
4 Considerações finais
Sonk conclui que existe um caminho plausível e consistente para uma epistemologia dos estudos de futuro baseada no fundacionalismo internalista. A estabilidade inicial proporcionada pelas crenças básicas é essencial para que a disciplina se desenvolva com rigor científico. Sonk termina sugerindo que a capacidade humana de formar condicionais contrafactuais (imaginar múltiplos cenários) pode ser uma base teórica para o método de cenários, recomendando que investigações futuras explorem a filosofia da mente para fortalecer ainda mais o campo do foresight.
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