“L’attitude prospective” – Resenha crítica

Por Rafaella Sales

Autores: Gaston Berger.

Fonte: L’Harmattan.

Disponível em: https://www.editions-harmattan.fr/

Referência: BERGER, G. L’attitude prospective. In: DURANCE, P. (org.). De la prospective: Textes fondamentaux de la prospective française 1955-1966. 2. ed. Paris: L’Harmattan, 2007. p. 33-39.

1          Objetivos da Pesquisa

O objetivo central de Berger é delimitar a natureza e os princípios da atitude prospectiva, estabelecendo uma distinção clara entre a previsão passiva e a prospectiva ativa. A sua proposta busca consolidar os fundamentos éticos e práticos que norteiam a tomada de decisão, demonstrando que a análise do futuro é indissociável das necessidades e dos valores humanos fundamentais.

2          Metodologia

A metodologia é de natureza ensaística e filosófica, fundamentada na fenomenologia e na análise crítica da administração pública e técnica da época. Berger não apresenta dados estatísticos, mas sim uma estrutura conceitual baseada em cinco princípios:

  • Olhar longe: Ampliar o horizonte temporal.
  • Olhar largo: Considerar a interconexão de todos os fenômenos (transversalidade).
  • Analisar profundamente: Buscar as causas e as estruturas por trás dos fatos superficiais.
  • Assumir riscos: Reconhecer que a decisão envolve incerteza.
  • Pensar no homem: Colocar a humanidade como a medida e o fim de todas as coisas

3          Principais Resultados

Berger apresenta a prospectiva como uma inversão do pensamento tradicional:

  • Aceleração do tempo: Berger mostra que quanto mais rápido o mundo muda, mais longe devemos olhar, comparando a situação a um condutor que precisa de faróis mais potentes à medida que aumenta a velocidade do carro.
  • Fim da escravidão do passado: O futuro não deve ser visto como uma fatalidade a ser sofrida, mas como algo a ser construído por meio da vontade humana.
  • Unidade da ciência e da ação: A prospectiva une a análise rigorosa à necessidade de agir, transformando a observação do futuro num instrumento de bouleversement (transformação) da realidade presente.
  • O “homem” como escala: O resultado de qualquer estudo prospectivo deve focar nas consequências para o ser humano, e não apenas no progresso técnico ou em eventos cósmicos isolados.

4          Considerações finais

Berger conclui que a prospectiva é a “ciência do futuro” apenas na medida em que o futuro é visto como um “devir” moldado pela liberdade humana. O autor conclui que prever uma catástrofe é sempre um ato condicional; é prever o que aconteceria se não mudássemos as coisas. Cientificamente, o artigo estabelece que o futuro é, em grande parte, o que queremos que ele seja, transformando a disciplina num imperativo ético para a gestão de sociedades complexas. A prospectiva, portanto, não serve para adivinhar o amanhã, mas para libertar o homem do peso do passado e permitir a criação de um destino escolhido.

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