Post-COVID-19 scenarios: A method for moments of crisis – Resenha crítica

Post-COVID-19 scenarios: A method for moments of crisis – Resenha crítica

Autores: Elaine Coutinho Marcial, Eduardo Rodrigues Schneider, Marcello José Pio, Rodrigo Mendes Leal, Thomaz Fronzaglia e Márcio Gimene.

Fonte: Futures

Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.futures.2022.102996

Referência: Marcial, E. C.; Schneider, E. R.; Pio, M. J.; Leal, R. M.; Fronzaglia, T.; Gimene, M. Post-COVID-19 scenarios: A method for moments of crisis. Futures, v. 142, artigo 102996, 2022. DOI: 10.1016/j.futures.2022.102996.

1            Objetivo da pesquisa

Esta pesquisa tem como objetivo apresentar a aplicação de um método de planejamento por cenários, em formato remoto, em um momento de crise, tendo como contexto os impactos sociais e econômicos da pandemia de COVID-19 no Brasil. Marcial et al. partem da constatação de que, no início de 2020, a rápida propagação do novo coronavírus gerou medo, incerteza e dificuldades na tomada de decisão em diferentes países.

O artigo busca responder se seria possível construir cenários em curto espaço de tempo e em formato totalmente remoto, com a participação de uma rede de especialistas, e, ainda assim, produzir subsídios úteis para decisões estratégicas no curto prazo. Dessa forma, a pesquisa busca adaptar o planejamento por cenários a um contexto emergencial, marcado por distanciamento social, alta incerteza e necessidade de respostas rápidas.

2            Metodologia

A metodologia utilizada foi baseada no método de minicenários, adaptado para aplicação remota. O projeto teve duração de 65 dias, de 17 de março a 21 de maio de 2020, e foi conduzido por uma equipe de controle composta por seis pesquisadores doutores, vinculados ao grupo de pesquisa em estudos prospectivos (NEP).

O estudo contou com a participação de 390 especialistas de diferentes áreas, como saúde, economia, ciências humanas, ciências sociais, geopolítica, segurança e defesa, engenharia e tecnologias da informação e comunicação. A participação ocorreu por meio de consultas remotas, formulários on-line, reuniões virtuais, aplicativos de mensagens e ferramentas colaborativas.

A questão orientadora do estudo foi: “Até 2022, o Brasil terá sido bem-sucedido em lidar com os desafios sociais e econômicos causados pela pandemia do novo coronavírus?”. A partir dessa pergunta, o processo metodológico envolveu a delimitação do sistema de cenarização, a identificação de sementes de futuro, a definição de forças motrizes, o estabelecimento da lógica dos cenários, a escrita e a avaliação das narrativas e, por fim, a avaliação estratégica das oportunidades e ameaças.

 3          Principais resultados

Os resultados indicam que é possível construir cenários consistentes, coerentes e úteis em curto prazo, mesmo em contexto de crise e com trabalho totalmente remoto. O estudo identificou tendências-chave, incertezas críticas, quatro cenários, oportunidades e ameaças relacionadas ao período pós-COVID-19 no Brasil.

Entre os principais achados do artigo, destacam-se:

● O projeto identificou 15 tendências-síntese relacionadas a temas como economia, saúde, tecnologia, trabalho, papel do Estado, desemprego, informalidade, empobrecimento, ciência, tecnologia e inovação.

● Foram selecionadas quatro incertezas críticas independentes: atividade econômica e geopolítica mundial; respostas terapêuticas e infraestrutura de saúde; ação governamental cooperativa ou conflitiva; e estratégias para mitigar os impactos sociais e econômicos da COVID-19.

● A partir dessas incertezas, foram construídos quatro cenários: Sinergia, Against history, Nonsense e Solidariedade.

● Os cenários foram avaliados por especialistas quanto à consistência e à coerência e, posteriormente, utilizados para identificar oportunidades e ameaças.

● A avaliação estratégica resultou em 10 oportunidades e 13 ameaças prioritárias para o enfrentamento dos impactos sociais e econômicos da pandemia no Brasil.

● O processo remoto mostrou-se viável, permitindo a participação de especialistas de diferentes regiões, instituições e áreas do conhecimento.

A principal contribuição de Marcial, Schneider, Pio, Leal, Fronzaglia e Gimene está em mostrar que o planejamento por cenários pode ser adaptado a momentos de crise, reduzindo o tempo, o custo e a complexidade operacional. Ao utilizar o método de minicenários, mostra-se a possibilidade de produzir visões alternativas de futuro no curto prazo, sem abandonar critérios de plausibilidade, coerência e relevância estratégica.

O artigo também destaca o papel da participação de especialistas no processo. A diversidade dos participantes contribuiu para ampliar a compreensão dos impactos da pandemia, permitindo identificar diferentes tendências, incertezas, ameaças e oportunidades. Além disso, os autores apontam que a participação no processo também favoreceu a aprendizagem dos envolvidos e das organizações sobre pensamento estratégico antecipatório.

4            Considerações finais

Marcial, Schneider, Pio, Leal, Fronzaglia e Gimene concluem que a construção e a análise de cenários constituem uma abordagem adequada para apoiar decisões em ambientes turbulentos e de alta incerteza. O estudo mostra que, mesmo em um contexto emergencial como a pandemia de COVID-19, é possível aplicar um método ágil, remoto e colaborativo para gerar informações relevantes para a formulação de estratégias.

A pesquisa reforça que o valor dos cenários não está apenas nas narrativas produzidas, mas também no processo de aprendizagem coletiva, na identificação de ameaças e oportunidades e no apoio à tomada de decisão. O método apresentado contribui tanto para a literatura sobre estudos de futuros quanto para organizações públicas e privadas que precisam responder rapidamente a crises.

O artigo também evidencia que ferramentas digitais, consultas remotas e medidas estatísticas de posição e dispersão podem ajudar a reduzir o tempo de convergência entre especialistas. Dessa forma, o estudo oferece uma contribuição metodológica importante ao mostrar como cenários podem ser construídos em curto prazo, com rigor suficiente para apoiar decisões estratégicas em momentos de crise.

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