The critical role of history in scenario thinking – Resenha crítica

The critical role of history in scenario thinking – Resenha crítica

Autores: Ronald Bradfield, James Derbyshire e George Wright.

Fonte: Revista Futures

Disponível em: http://eprints.mdx.ac.uk/18960/

Referência:  Bradfield, R.; Derbyshire, J.; Wright, G. (2016) The critical role of history in scenario thinking: augmenting causal analysis within the intuitive logics scenario development methodology. Futures, v. 77, p. 56-66, March. Doi: 10.1016/j.futures.2016.02.002

1            Objetivo da pesquisa

Esta pesquisa tem como objetivo discutir o papel da história no pensamento por cenários, especialmente na metodologia conhecida como Intuitive Logics (abordagem da Lógica Intuitiva). Os autores partem da constatação de que, embora a história não deva ser usada como previsão direta do futuro, ela pode oferecer elementos importantes para compreender causas, mudanças, rupturas e padrões que contribuem para a construção de cenários mais consistentes.

O artigo busca resolver uma tensão central: por um lado, é necessário aprender com o passado para compreender como o presente foi formado; por outro, é perigoso depender excessivamente da história, pois o futuro pode apresentar acontecimentos sem precedentes. Assim, os autores defendem que a história deve ser usada como orientação e apoio à análise causal, e não como um mecanismo de previsão.

2            Metodologia

A metodologia utilizada é de natureza teórica e analítica, baseada na revisão e na discussão da literatura sobre história, estudos do futuro e planejamento por cenários. Os autores analisam as contribuições de diferentes pesquisadores para compreender as vantagens e limitações do uso da história na reflexão sobre o futuro.

Além disso, o artigo examina a metodologia Intuitive Logics, considerada uma das abordagens mais utilizadas no planejamento por cenários. A partir dessa análise, os autores propõem adaptações ao processo tradicional, especialmente nas etapas iniciais de identificação e agrupamento das forças motrizes. Para eles, essas etapas precisam incorporar uma pesquisa histórica mais aprofundada, capaz de revelar como determinados sistemas, organizações ou contextos chegaram ao seu estado atual.

 3          Principais resultados

Os resultados mostram que a história desempenha um papel importante no planejamento por cenários, mas esse papel costuma ser tratado de forma periférica. Os autores argumentam que a simples identificação de elementos predeterminados, como tendências demográficas, infraestrutura ou condições estruturais, não é suficiente para gerar uma aprendizagem histórica profunda.

Entre os principais achados do artigo, destacam-se:

● A história não deve ser vista como um instrumento de previsão, pois eventos futuros não se repetem exatamente como os eventos passados.

● O valor da história está em sua capacidade de orientar a compreensão do presente, mostrando como determinados processos, decisões e rupturas produziram a situação atual.

● A análise histórica permite identificar causas, padrões, erros de interpretação e surpresas do passado, elementos que podem auxiliar na construção de cenários futuros mais robustos.

● O estudo reforça que diferentes interpretações sobre o passado podem ser úteis, pois revelam divergências de percepção entre os participantes e ajudam a explicitar expectativas distintas sobre o futuro.

● Os autores defendem que as etapas iniciais da metodologia Intuitive Logics devem ser ampliadas por meio de pesquisas históricas, análises contrafactuais, entrevistas, consultas a especialistas, técnicas Delphi e investigação documental.

A principal contribuição de Bradfield, Derbyshire e Wright está na defesa de que a história deve ocupar uma posição mais central no desenvolvimento de cenários. Para eles, o planejamento por cenários não deve apenas levantar incertezas futuras, mas também compreender profundamente os processos históricos que moldaram o presente. Esse esforço permite identificar os fatores que influenciaram mudanças anteriores e refletir sobre como forças semelhantes podem atuar de maneira diferente no futuro.

Os autores também destacam que a análise histórica contribui para evitar a construção de cenários superficiais. Quando a fase de pesquisa é pouco desenvolvida, os cenários tendem a se tornar genéricos, baseados apenas nas percepções imediatas dos participantes. Por isso, eles sugerem que a investigação histórica seja incorporada como uma etapa essencial para fortalecer a qualidade analítica dos cenários.

4          Considerações finais

Bradfield, Derbyshire e Wright concluem que o planejamento por cenários se torna mais consistente quando incorpora uma análise histórica aprofundada. A história não elimina a incerteza do futuro, mas ajuda a compreender os caminhos pelos quais o presente foi construído e oferece pistas sobre causas, rupturas e mudanças possíveis.

O artigo reforça que aprender com o passado não significa repetir suas conclusões de forma mecânica. Pelo contrário, significa reconhecer que o futuro pode ser diferente, mas que essa diferença só pode ser compreendida adequadamente quando há uma boa orientação sobre o passado e o presente. Dessa forma, a história contribui para ampliar a qualidade do pensamento estratégico, tornando os cenários mais fundamentados, críticos e úteis para a tomada de decisão.

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