Defining scenario – Resenha crítica

Defining scenario – Resenha crítica

Autores: Matthew J. Spaniol e Nicholas J. Rowland.

Fonte: Revista Futures & Foresight Science

Disponível em: https://doi.org/10.1002/ffo2.3

Referência: Spaniol, M. J.; Rowland, N. J. Defining scenario. Futures & Foresight Science, v. 1, n. 1, e3, p. 1-13, October, 2018.

1            Objetivos da Pesquisa

Esta pesquisa tem como objetivo investigar as delimitações conceituais de cenários na literatura especializada, ao mesmo tempo em que confronta as perspectivas históricas e as tendências atuais da área. A análise visa sistematizar as divergências teóricas e propor um quadro de referência que distinga o cenário como um constructo resultante do processo de planejamento estratégico.

2          Metodologia

A metodologia fundamenta-se em uma revisão bibliográfica sistemática e analítica (scoping review). Os autores examinam uma ampla variedade de definições históricas e modernas, utilizando uma abordagem de “filosofia empírica” para categorizar os termos. A análise é conduzida por meio da decomposição das definições em elementos constitutivos, como plausibilidade, múltiplas alternativas, narrativas e horizontes temporais, e avalia como esses componentes se articulam para formar o conceito.

3          Principais Resultados

Os resultados revelam que a definição de cenário não é estática, mas varia conforme a finalidade do uso:

  • O estudo reforça que, ao contrário das previsões, os cenários são inerentemente múltiplos e focados na plausibilidade, não na probabilidade.
  • Os autores identificam que a maioria das definições descreve o cenário como uma descrição de um estado futuro e do caminho que leva a ele, servindo como um dispositivo de aprendizagem.
  • O campo sofre de uma fragmentação em que o termo é usado tanto para descrever o processo de planejamento por cenários quanto para descrever o resultado final, o que acaba gerando confusão.

A principal contribuição de Spaniol e Rowland refere-se ao fato de descreverem um cenário como um fenômeno que propõe um framework no qual é possível verificar se o que se está produzindo é ou não um cenário (Figura 1).

Figura 1 – Processo de classificação do fenômeno como um cenário

Fonte: Spaniol, M. J.; Rowland, 2018.

Para que seja um cenário, o objeto em estudo deve ser orientado para o futuro, focado em informações do ambiente externo, apresentar uma narrativa descritiva plausível e possível, construída a partir de um conjunto sistematizado e comparativamente diferente dos outros cenários.

4          Considerações finais

Spaniol e Rowland concluem que, para que a ciência do futuro avance, é necessário um rigor terminológico maior. Destacam que o cenário deve ser entendido como uma “ferramenta” epistemológica que permite a exploração do desconhecido por meio da construção de mundos alternativos consistentes. O artigo estabelece que, para definir claramente o cenário, o primeiro passo é validar o planejamento por cenários como uma disciplina acadêmica robusta, capaz de oferecer valor prático à estratégia organizacional, sem perder o rigor teórico.

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