Scenario types and techniques: Towards a user’s guide  – Resenha Crítica

Scenario types and techniques: Towards a user’s guide  – Resenha Crítica

Autores: Lena; Mattias Höjer; Dreborg, Karl-Henrik; Ekvall, Tomas; Finnveden, Göran.

Fonte: Futures

Referência: BÖRJESON, L.; HÖJER, M.; DREBORG, K.-H.; EKVALL, T.; FINNVEDEN, G. Scenario Types and Techniques: Towards a User’s Guide. Futures, v. 38, n. 7, p. 723–739, 2006.

1          Objetivo da pesquisa

Esta pesquisa tem como objetivo desenvolver uma tipologia de cenários que auxilie pesquisadores, planejadores e formuladores de políticas públicas na seleção do tipo de cenário mais adequado para diferentes problemas de decisão.

Höjer et al.  partem da constatação de que a literatura sobre scenario studies apresenta uma grande diversidade de conceitos, classificações e metodologias, frequentemente utilizados de forma indistinta. Essa falta de padronização dificulta tanto a elaboração quanto a interpretação dos estudos no campo do foresight.

Diante desse contexto, Börjeson et al. propõem uma classificação fundamentada nas perguntas centrais que orientam os estudos de futuro, distinguindo diferentes tipos de cenários e relacionando-os às técnicas mais apropriadas para sua construção. O objetivo não é estabelecer uma metodologia única, mas oferecer um guia conceitual que facilite a escolha dos métodos conforme a finalidade do estudo.

2          Metodologia

A metodologia utilizada é uma revisão teórica e conceitual da literatura sobre scenario studies, forecasting, scenario planning, backcasting e métodos de análise no campo do foresight.

O artigo não realiza pesquisa empírica nem estudo de caso. Seu foco consiste em analisar criticamente as principais abordagens metodológicas utilizadas nos estudos de cenários e organizá-las em uma estrutura lógica baseada na finalidade do estudo e na perspectiva do usuário.

A partir dessa revisão, os autores propõem uma tipologia composta por três grandes categorias de cenários — predictive, explorative e normative — subdivididas em seis tipos específicos. Além disso, apresentam uma classificação das principais técnicas utilizadas no desenvolvimento dos cenários, organizadas conforme sua contribuição para as etapas de geração de ideias, integração de informações e verificação da consistência dos cenários.

 3         Principais resultados

Os resultados do artigo consistem na elaboração de uma tipologia que diferencia claramente os tipos de cenários de acordo com a pergunta que se pretende responder sobre o futuro.

Entre os principais resultados apresentados, destacam-se:

  • Os autores classificam os estudos prospectivos em três grandes categorias:
    • Predictive scenarios, voltados à pergunta “What will happen?”
    • Explorative scenarios, destinados à pergunta “What can happen?”
    • Normative scenarios, orientados pela pergunta “How can a specific target be reached?”
  • Dentro dessas categorias são identificados seis tipos específicos de cenários:
    • Forecasts – respond to the question: What will happen?
    • Cenários tipo “e se” (What-if scenarios) – respondem à pergunta: o que acontecerá, caso ocorram determinados eventos?(What will happen, on the condition of some specified events?).
    • Cenários externos (External scenarios) – respondem à pergunta: o que pode acontecer com a evolução de fatores externos? (What can happen to the development of external factors?).
    • Cenários estratégicos (Strategic scenarios) – respondem à pergunta: o que pode acontecer se agirmos de determinada maneira?(What can happen if we act in a certain way?).
    • Cenários de preservação (Preserving scenarios) – respondem à pergunta: como o objetivo pode ser alcançado por meio de ajustes na situação atual?(How can the target be reached, by adjustments to current situation?).
    • Cenários de transformação (Transforming scenarios) – respondem à pergunta: como o objetivo pode ser alcançado quando a estrutura vigente impede as mudanças necessárias? (How can the target be reached, when the prevailing structure blocks necessary changes?).

Cada tipo possui objetivos, horizontes temporais, estruturas analíticas e aplicações distintas.

  • O artigo mostra que a escolha da técnica de construção dos cenários deve ocorrer somente após a definição do tipo de cenário desejado. Segundo os autores, é comum que pesquisadores selecionem uma técnica antes de definirem claramente qual conhecimento pretendem produzir, o que compromete a qualidade do estudo.
  • A pesquisa organiza as principais técnicas de construção de cenários em três grupos:
    • técnicas de generating, responsáveis pela geração de ideias e informações;
    • técnicas de integrating, voltadas à integração dos diferentes elementos do sistema;
    • técnicas de consistency, utilizadas para verificar a coerência interna dos cenários.
  • Entre as técnicas discutidas destacam-se workshops, Delphi method, surveys, Morphological Field Analysis (MFA), Cross-Impact Analysis, time-series analysis, explanatory modelling, optimising modelling e backcasting. Os autores ressaltam que essas técnicas não são exclusivas de um único tipo de cenário e podem ser combinadas conforme os objetivos da pesquisa.
  • O estudo evidencia que diferentes usuários têm necessidades distintas ao utilizarem cenários. Enquanto alguns buscam previsões (forecasts), outros desejam explorar múltiplos futuros possíveis ou construir caminhos para alcançar objetivos específicos. Assim, a escolha do tipo de cenário depende não apenas das características do sistema estudado, mas também da finalidade da análise e da visão de mundo do usuário.
  • Höjer et al.  também defendem que diferentes técnicas qualitativas e quantitativas podem ser utilizadas de forma integrada, aumentando a robustez dos estudos prospectivos e permitindo analisar simultaneamente tendências, incertezas, alternativas estratégicas e metas de longo prazo.

A principal contribuição do artigo consiste em oferecer uma estrutura conceitual que diferencia claramente os tipos de cenários e as técnicas de construção, auxiliando pesquisadores e profissionais na seleção das abordagens metodológicas mais adequadas para cada finalidade dos estudos prospectivos.

4          Considerações finais

Börjeson et al.  concluem que os estudos de cenários não devem ser classificados apenas pelas técnicas empregadas, mas principalmente pelos objetivos que orientam a investigação e pelas perguntas que se deseja responder sobre o futuro.

Defendem que a escolha metodológica adequada depende da compreensão das diferentes finalidades dos cenários. Estudos voltados à previsão requerem abordagens distintas daquelas destinadas à exploração de múltiplos futuros ou à construção de estratégias para atingir objetivos específicos.

O artigo também reforça que não existe uma técnica universal capaz de atender a todas as situações. Em muitos casos, a combinação de métodos qualitativos e quantitativos produz análises mais completas e consistentes, permitindo lidar de forma mais eficaz com a complexidade e a incerteza inerentes aos estudos de futuros.

Por fim, a pesquisa apresenta uma contribuição relevante para o campo do foresight ao sistematizar uma tipologia clara de scenario studies, oferecendo um guia metodológico que favorece tanto a elaboração quanto a avaliação crítica de estudos prospectivos. A proposta amplia a consistência conceitual da área e fortalece o uso de cenários como instrumento de apoio ao planejamento estratégico e à tomada de decisão.

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