The role of constructivist learning in scenario planning – Resenha crítica

The role of constructivist learning in scenario planning – Resenha crítica

Autores: T. J. Chermack e L. van der Merwe. 

Fonte: Revista Futures

Disponível em: http://eprints.mdx.ac.uk/18960/

Referência:  Chermack, T. J.; Van der Merwe, L. The role of constructivist learning in scenario planning. Futures, v. 35,. 5, p. 445-460, June,  2003. DOI: 10.1016/S0016-3287(02)00091-5

1            Objetivo da pesquisa

Esta pesquisa tem como objetivo apresentar as relações entre o processo de planejamento por cenários e a perspectiva construtivista da aprendizagem. Os autores partem da constatação de que muitos estudos sobre cenários mencionam elementos próximos ao construtivismo, mas poucos tornam essa conexão explícita.

O artigo mostra que o planejamento por cenários não é apenas um método de planejamento estratégico, mas também um processo de aprendizagem. Nesse sentido, os autores defendem que os cenários contribuem para modificar os modelos mentais dos tomadores de decisão, permitindo que os participantes reconstruam suas interpretações sobre o ambiente organizacional, a incerteza e o futuro.

2            Metodologia

A metodologia utilizada é uma revisão conceitual, analítica e sintética da literatura sobre aprendizagem construtivista e planejamento por cenários. Os autores analisam obras fundamentais do construtivismo, especialmente Piaget, Vygotsky, Lave e Wenger, Berger e Luckmann, além de autores centrais do planejamento por cenários, como Wack, Schwartz, Senge, De Geus e Van der Heijden.

A proposta metodológica do artigo não envolve pesquisa empírica, mas sim uma análise teórica que busca mostrar como os princípios da aprendizagem construtivista se manifestam no processo de construção e de utilização de cenários. Assim, o estudo apresenta o construtivismo como um domínio teórico capaz de fundamentar e fortalecer a prática do planejamento por cenários.

 3          Principais resultados

Os resultados indicam que o planejamento por cenários pode ser compreendido como um processo de aprendizagem construtivista, pois envolve a construção individual e social de significados. Os autores destacam que o cenário não tem como finalidade principal prever o futuro, mas provocar reflexão, desafiar pressupostos e melhorar a qualidade da decisão.

Entre os principais achados do artigo, destacam-se:

● O planejamento por cenários atua nos modelos mentais dos participantes, ajudando-os a revisar suas suposições sobre o funcionamento do mundo e do ambiente organizacional.

● A aprendizagem individual ocorre quando os participantes assimilam novas informações e acomodam suas interpretações, em um processo semelhante ao descrito por Piaget.

● A aprendizagem social manifesta-se por meio do diálogo, da interação entre os participantes e da influência da cultura e da história organizacional, elementos associados à perspectiva de Vygotsky.

● O processo de construção de cenários funciona como uma forma de “andaime” ou suporte para que os participantes avancem em sua capacidade de pensar estrategicamente, explorando futuros plausíveis e desafiadores.

● A aprendizagem situada também é importante, pois os cenários são construídos em contextos específicos, considerando a realidade sociológica, tecnológica, econômica, ambiental, política e competitiva de cada organização.

● A linguagem e a conversação estratégica são fundamentais para que os participantes negociem significados e construam uma compreensão compartilhada da realidade organizacional.

A principal contribuição de Chermack e Van der Merwe consiste em mostrar que o planejamento por cenários possui uma forte dimensão pedagógica e formativa. Ao envolver os participantes na construção de histórias plausíveis sobre o futuro, o processo amplia a capacidade de interpretação, reflexão e ação diante de ambientes incertos.

Os autores também destacam o conceito de “memória do futuro”. Esse conceito se refere à capacidade de uma organização responder mais rapidamente a mudanças externas porque já imaginou previamente determinadas situações. Dessa forma, quando um cenário começa a se concretizar, os tomadores de decisão conseguem reconhecer sinais e agir com maior preparo.

4            Considerações finais

Chermack e Van der Merwe concluem que há uma relação clara entre a aprendizagem construtivista e o planejamento por cenários. O artigo mostra que os cenários não devem ser vistos apenas como produtos finais ou como narrativas sobre futuros possíveis, mas como processos de aprendizagem capazes de transformar percepções, pressupostos e modelos mentais.

A pesquisa reforça que o valor dos cenários está na mudança que eles provocam na forma como os participantes compreendem a realidade e tomam decisões. Ao integrar a construção individual de sentido, a interação social, o contexto organizacional e a conversação estratégica, o planejamento por cenários torna-se um método relevante para promover a aprendizagem organizacional, a adaptação e a preparação diante da incerteza.

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