Debatedores do Brasil Futures Forum dão o seu feedback sobre o evento

Fonte: Arquivo fotográfico da SocialPort. Brasil Futures Forum, 24 de agosto de 2026, Painel Governos, foresight e design de futuros.

O Brasil Futures Forum, maior evento sobre estudos futuros da América Latina, que contou com o apoio da SocialPort, chegou ao fim e, com isso, diversos temas foram discutidos e tratados durante a sua realização. Para compreendermos e ficarmos cientes das discussões apresentadas durante o evento, a SocialPort convidou dois moderadores do encontro para darem um feedback sobre os temas discutidos pelos especialistas na reunião.

O Engenheiro Agrônomo Ariel Pares e Guilherme Rebouças, Diretor na Agência Sergipe de Desenvolvimento, foram debatedores do Painel “Governos, foresight e design de futuros” no Brasil Futures Forum, sob a coordenação da Dra. Elaine Marcial, social da SocialPort. Eles avaliaram o evento e os temas discutidos durante sua realização, em entrevista exclusiva à SocialPort. Para Ariel, o encontro serviu para mostrar aos participantes do evento a importância da administração pública na criação de cenários exploratórios e normativo e a necessidade iminente de institucionalizar o foresight no âmbito federal.

“Ficou claro, ao público que assistiu que a administração pública tem alguma experiência e acúmulo no planejamento por cenários. Ficou também explicitada a necessidade de superar os ciclos eleitorais com metodologias e de institucionalizar a governança antecipatória nos governos”, afirmou Ariel à SocialPort.

Rebouças, por outro lado, destacou a iniciativa como essencial para a construção de novas relações e para a oportunidade de apresentar a outros atores os resultados conquistados e a experiência obtida por meio do projeto Sergipe 2050. “Nós tivemos um ganho muito grande em contatos ao construir essas redes de relacionamento (…), além de dar visibilidade à Iniciativa Sergipe 2050”, destacou.

O Diretor na Agência Sergipe de Desenvolvimento ficou responsável por liderar o debate sobre dois temas-chave: um sobre a criação de regras institucionais para impedir que mandatos presidenciais distintos interfiram no planejamento de longo prazo do estado, e o outro sobre a integração entre os âmbitos federal e estadual na tarefa de pensar e arquitetar o futuro.

Sobre a primeira questão, Guilherme acredita que a solução para o problema é a criação de um centro de escaneamento do horizonte (horizon scanning), com o objetivo de acompanhar os estudos de futuro realizados pelo governo federal e pelos estados da federação. Entretanto, o estudioso apontou que o Conselho de Secretários de Planejamento e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) estão trabalhando na criação de uma rede nacional de pesquisa em planejamento.

“O Conselho de Secretários de Planejamento e o IPEA têm trabalhado na construção de uma rede nacional de pesquisa em planejamento, a minha defesa, junto a essa rede, é que se estabeleça aí um centro de escaneamento do horizonte. Um centro que olhe para o futuro, acompanhe as premissas e megatendências dos projetos de prospectiva que estejam na União, nos estados, nas regiões e, talvez, nos municípios. Então, essa rede tem que ser capaz de fazer essa articulação”, concluiu.

Em relação aos mecanismos de blindagem do planejamento estatal de longo prazo contra interferências políticas indesejadas, Guilherme apontou que a solução para a questão é trazer a comunidade ao centro das discussões sobre o futuro. A sociedade, representada por diferentes setores, não seria apenas participante do projeto, mas também sua dona.

“Então, a minha avaliação é que o único caminho para isso é trazer para uma esfera de um sistema de governança uma ampla participação popular, com muita transparência e ampla participação de setores diversos da sociedade ali representados, e que eles não sejam apenas ouvidos no âmbito desse conselho. Eles também sejam donos daquela iniciativa, nesse sentido; também sejam responsáveis por aquela iniciativa, naquele sentido”, afirmou.

A respeito da temática, Ariel Pares enxerga como possível a institucionalização plena dos estudos de futuro e do planejamento estratégico na administração pública brasileira apenas quando for aprovada uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabeleça um planejamento de longo prazo, abrangente, com a participação de todos os entes da federação em sua concepção.

“Institucionalizar por meio de uma PEC, associando-a à necessidade de um planejamento de longo prazo em base territorial, de modo a envolver os entes federados num processo de elaboração e gestão desse planejamento. Elaborar um planejamento de longo prazo, delineando os investimentos estratégicos da União e das regiões, diferidos no tempo e na base territorial, de modo que este processo adquira pluralidade política e interesses claros do Estado, da sociedade e do setor produtivo”, complementou Ariel.

Destaca-se que, recentemente, a SocialPort entrevistou o senador Hamilton Mourão, que comentou sobre o andamento da Proposta de Emenda à Constituição nº 35, de 2024. A proposta visa alterar o planejamento de longo prazo brasileiro de 4 para 20 anos. Confira a entrevista no link a seguir.

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