Por Elaine C. Marcial
Na conjuntura atual, a capacidade de antecipar mudanças não é mais um diferencial, mas um requisito de sobrevivência para as organizações. No entanto, muitas ainda baseiam suas estratégias na intuição ou em ferramentas isoladas que, efetivamente, não fornecem as informações de que os tomadores de decisão necessitam para tomar a decisão mais acertada. O artigo de Rafael Popper explora como as empresas podem profissionalizar sua visão de futuro, utilizando o que ele chamou de “Diamante de Foresight”, um framework que organiza 25 métodos testados em quase 900 estudos de caso globais e orienta quais métodos a organização deve investir, dependendo do que necessita.
A pesquisa de Popper revela que, historicamente, a seleção de métodos de foresight tem sido dominada pela intuição, pela impulsividade ou até pela inexperiência de quem organiza os processos. Para uma organização, isso significa investir tempo e recursos em análises que podem ser enviesadas ou incompletas.
Para organizações que investem ou desejam investir em foresight, o domínio das técnicas mapeadas oferece três vantagens claras. A primeira refere-se à obtenção de um equilíbrio entre evidência e criatividade. Por meio do uso do “Foresight Diamond”, a empresa entende que um processo robusto deve equilibrar quatro capacidades fundamentais: (1) expertise (conhecimento técnico), evidência (dados e estatísticas), criatividade (visões disruptivas) e interação (engajamento de stakeholders). Ao combinar ferramentas, a empresa adquire resiliência, pois não se prendeu a apenas uma dessas “ancoras”. Também se torna capaz de produzir visões de futuros que são, ao mesmo tempo, criativas o suficiente para inovar, baseadas em dados o suficiente para serem viáveis e participativas o suficiente para serem aceitas e implementadas.
A segunda vantagem diz respeito à mitigação de riscos metodológicos, pois o conhecimento da natureza dos métodos (qualitativos e quantitativos) permite que a organização escolha a ferramenta certa para o problema certo.
Obter eficiência no “methods mix” refere-se à terceira vantagem. Como foi levantado que os estudos bem-sucedidos utilizam, em média, de cinco a seis métodos combinados, é importante saber quais métodos se combinam entre si para evitar redundância e potencializar a profundidade da análise.
O mapeamento realizado por Popper oferece contribuições práticas que impactam diretamente o processo de tomada de decisão e reduzem o desperdício de recursos em estratégias baseadas em palpites. A customização do processo é chave para o sucesso do estudo de futuros, ou seja, escolher os métodos adequados à realidade da organização. Em geral, organizações privadas tendem a exigir informações em formatos “pré-embalados” e digeríveis, o que explica a menor utilização de revisões de literatura extensas e maior foco em métodos de ação rápida. Com o uso desse framework, além do rigor, a organização acelerará suas decisões estratégicas.
Outra importante contribuição do trabalho realizado por Popper refere-se à melhoria nos resultados (outputs), pois alinha o método ao resultado esperado. Por exemplo, se a empresa precisa de uma “lista de tecnologias críticas”, o estudo mostra que “painéis de especialistas” e “Delphi” são mais eficazes do que métodos puramente criativos.
Por fim, a identificação de “sinais fracos” e “curingas” refere-se à outra contribuição do artigo, ao ressaltar que as práticas atuais ainda subexploram métodos baseados na criatividade e na interação. Organizações que adotarem técnicas como gaming (jogos de empresa) ou análise de wild cards (eventos de baixa probabilidade e alto impacto) estarão à frente na detecção de disrupções do que os concorrentes focados apenas em tendências lineares.
O conhecimento gerado por Popper transforma o foresight de uma “arte mística” em um processo sistemático e multifatorial. Para a organização moderna, aplicar esse framework significa construir uma estratégia baseada em uma arquitetura metodológica coerente, garantindo que a visão de futuro seja tão rigorosa quanto a gestão financeira do presente.
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Referência: Popper, R. (2008). How are foresight methods selected? Foresight, 10(6), 62–89. DOI: 10.1108/14636680810918586.
Acesse a Resenha Crítica do artigo em produzido pela SocialPort: https://socialport.com.br/how-are-foresight-methods-selected-resenha-critica/
